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the internet of things


(...) I’m going to take three quotes defining the Spime from Shaping Things as picked out by Tristan Ferne in, coincidently, a post about Olinda.
“SPIMES are manufactured objects whose informational support is so overwhelmingly extensive and rich that they are regarded as material instantiations of an immaterial system. SPIMES being and end as data. They are designed on screens, fabricated by digital means and precisely tracked through space and time throughout their earthly sojourn.” [Shaping Things, p.11]
“The key to the SPIME is identity. A SPIME is, by definition, the protaganist of a documented process. It is an historical entity with an accessible, precise trajectory through space and time.” [Shaping Things, p.77]
“In an age of SPIMES, the object is no longer an object, but an instantiation. My consumption patterns are worth so much that they underwrite my acts of consumption.” [Shaping Things, p. 79]
“…the object is no longer an object, but an instantiation” – this sticks with me.
A spime is an ongoing means, not an end, like a thing.
As I say, I enjoy things, and working in a company where there are real product designers (I am not one).
A while ago, back when people used to write comments on blogs, rather than just spambots, I wrote about the dematerialisation of product through the expansion of service-models into domains previously centred around product ownership.
It was partly inspired by Bruce’s last Viridian note, and John Thackara‘s writing on the subject amongst others.
But now I feel ‘Unproduct‘ is a bit one-sided.
The stuff I was struggling towards in negroponte switch has become more important.
The unmet (and often unstated) need for a physical ‘attention anchor’ or ‘service avatar’ as Mike Kuniavsky puts it in his excellent book ‘Smart Things‘.

the flood

Science is the sum total of a great multitude of mysteries. It is an unending argument between a great multitude of voices. It resembles Wikipedia much more than it resembles the Encyclopaedia Britannica.
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The evolution of life is a part of the evolution of the universe, which also evolves with increasing amounts of information embodied in ordered structures, galaxies and stars and planetary systems. In the living and in the nonliving world, we see a growth of order, starting from the featureless and uniform gas of the early universe and producing the magnificent diversity of weird objects that we see in the sky and in the rain forest. Everywhere around us, wherever we look, we see evidence of increasing order and increasing information.
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The immense size of modern databases gives us a feeling of meaninglessness. Information in such quantities reminds us of Borges’s library extending infinitely in all directions. It is our task as humans to bring meaning back into this wasteland. As finite creatures who think and feel, we can create islands of meaning in the sea of information.
 
Freeman Dyson

nós somos a informação que produzimos


a obsessão de muitas pessoas em se medirem a si próprias, em se auto-analisarem, -controlarem, -vigiarem, -quantificarem, -observarem, é uma forma de provarem que mais facilmente existem na terceira pessoa do que na primeira. se somos o nosso único ponto de referência, como poderemos ter a certeza que não estamos (a ser) enganados, que somos pura consciência ou percepção? e ao considerar o meu cérebro como algo que existe em mim, o que é então "mim"?
estas considerações irrelevantes ganham acuidade com a proliferação de engenhos, físicos e virtuais, para executarem continuamente o nosso check-up existencial, através da infinita quantidade de informação que deitamos cá para fora, que armazenamos e que, em última análise, nos define aos olhos dos outros. ou seja, de nós próprios.

Data is truth. It calls you on your bullshit. And at its core, that seems to be what the quantified self is ultimately about.

who can you trust?

num mundo cada vez mais complexo, a grande questão relativa à internet (ao mundo) é a da legitimidade, da confiança. aqui, a desinformação ocupa tanto espaço como a informação genuína (se não mesmo mais), pelo que se torna difícil confirmar factos e afirmações, sobretudo quando respeitam a realidades mais "especializadas", como sejam a ciência (incluindo naturalmente a tecnologia) ou a economia, por exemplo. é por isso que precisamos desesperadamente de (bons) jornalistas e editores. George Monbiot dixit:
The information available, the scale of human interactions, the detail involved in financial deals and trading relationships and political decisions appear to be growing exponentially. We are drowning in complexity. To be good citizens we must understand what is done in our name. But how?
We lean ever more heavily on experts. But who can we now trust? Corporate PR has become so sophisticated that it's almost impossible for most people to tell the difference between genuine science and greenwash, or real grassroots campaigns and the astroturf lobbies concocted by consultants. PR companies set up institutes with impressive names which publish what purport to be scientific papers, sometimes in the font and format of genuine journals. They accuse real scientists of every charge that could be levelled at themselves: junk science, hidden funding, undisclosed interests and inflated credentials.
If journalists have any remaining function, it is to help people navigate this world: to try to understand the crushingly dull documents that most people don't have time for, to smoke out the fakes and show how to recognise the genuine article. But we mess up too. The most we can promise is to try not to make the same mistake twice.

esta demanda por mais e melhor informação já se está a reflectir na crescente procura por revistas - fora da net - mais "sérias", que tentem explicar mais sustentadamente what's going on. resta saber se o logro não continua, ainda mais insidiosamente. mas é um bom princípio e uma grande oportunidade para o desenvolvimento do espírito crítico de todas as pessoas. cabe agora aos autores na net responderem ao desafio e rise to the occasion. antes que seja tarde demais.

ler ou não ler, eis a questão

a propósito deste artigo do nyt sobre a cada vez mais premente questão da relação entre leitura e internet, duas ideias luziram no meu espírito obscurecido (certamente ainda pelo cavaleiro das trevas): a primeira tem a ver com a percepção da net como um local onde essencialmente se fala, não onde se escreve; a segunda toca na ferida quando se refere que os mais jovens estão a interagir com o mundo, a comunicar, sem ser exclusivamente através da linguagem.
está toda a gente muito preocupada com a questão da leitura - que não me parece em perigo -, mas eu gostaria de mudar ligeiramente o foco para o outro lado da página, para o lado do autor - é normal que não se queira ler textos muito longos na net por prazer, ela ainda não está configurada como ferramenta para isso por enquanto; o que já não é tão normal é não haver aparentemente nenhuma reacção por parte dos produtores de conteúdo para o aspecto de o meio ser hoje literalmente a mensagem. ou seja, a grande transformação terá de vir deles, dos autores; o conceito de "conteúdo" tem de ser alterado, adaptado às novas plataformas (mesmo na leitura hedonista); o conceito actual de "livro" também. como diz um adolescente americano que passa o tempo na net, {“The Web is more about a conversation,” he said. “Books are more one-way.”}
depois, a questão fascinante não é propriamente a da leitura, mas sim a da linguagem. estamos a assistir ao lento mas inexorável destronar da linguagem (e dos livros stricto sensu) como forma suprema de lidar e interagir com a realidade. o que até agora operava em quase exclusivo através da Arte - o deixar o subconsciente absorver e lidar com o fluxo do real sem interferência de processos racionais, por exemplo - está a decantar-se para o grande meio de comunicação universal e assim a permear a consciência global - o mundo está a deixar de ser uma construcão mental para ser acedido directamente através do som e da imagem. citação de apoio: {Some literacy experts say that reading itself should be redefined. Interpreting videos or pictures, they say, may be as important a skill as analyzing a novel or a poem.“Kids are using sound and images so they have a world of ideas to put together that aren’t necessarily language oriented,” said Donna E. Alvermann, a professor of language and literacy education at the University of Georgia. “Books aren’t out of the picture, but they’re only one way of experiencing information in the world today.”} a estupefacção desta ideia tão simples e óbvia é apenas uma reacção à longa herança histórica das sucessivas políticas de educação societárias da Humanidade, que foram impondo um sistema de castas intelectuais com efectivo poder secular (já há muito tempo que informação é poder) ao abstractizar a relação entre o homem e o seu ambiente. a culpa não é da filosofia, mas da política, a chamada mais nobre das ciências humanas. sem querer (ou poder) ir mais fundo, direi apenas que vivemos tempos fascinantes de mudança e que as novas gerações já estão a ser equipadas para lidar com a(s) sua(s) realidade(s), não necessariamente através da internet, mas através do que a internet já possibilitou, já desencadeou nos seus processos mentais. a internet é/foi/será a emancipadora das cabeças dos miúdos e miúdas que vão gerir esta coisa. só por isso já valeu a pena.

mensagens relacionadas com este tema aqui, aqui e aqui, para quem se quiser dar ao trabalho ingrato.

linguagem máquina

quando nos atemos a um critério de descrição meramente funcional, a tendência é de subtrairmos o quociente valorativo ou subjectivo da acção ou objecto em causa. isto é especialmente verdade no caso de instruções ou processos técnicos, nos quais não têm lugar quaisquer considerações não-objectivas, permitindo o máximo de eficiência na comunicação (ao nível da quantidade e da rapidez da informação transmitida), sem perda de "energia". o exemplo mais apurado é a chamada linguagem máquina utilizada para "falar" com computadores (que se sabe terem relativamente pouca sensibilidade às nuances, por enquanto). fora desses casos mais estritos, contudo, a linguagem está pejada de factores emocionais, situacionais, simbólicos e subjectivos em geral, onde o píncaro pode ser atingido na poesia. ora, a língua inglesa é especialmente propícia a estes desvios linguísticos, graças à sua capacidade aglutinadora (gulosa, mesmo) e remisturadora de meias-expressões, que depois transforma em expressões completas novas (os phrasal verbs, por exemplo). assim, o inglês consegue "despir" uma descrição com extrema eficácia, removendo-lhe a roupagem emocional e deixando apenas ficar as indicações-máquina impessoalmente descritivas das várias funções em causa. a faceta mais visível desta possibilidade denomina-se linguagem "politicamente correcta", em que as referências directas "populares" ou recebidas historicamente na língua de forma natural foram sendo substituídas por alternativas mecanicistas e assexuadas (literalmente) para evitar qualquer conotação potencialmente ofensiva (definida por parâmetros e para fins desconhecidos por nós). desta forma, um livro deixou de ser vandalizado, para passar a ser enhanced by a contemporary expression of angst. uma morte equivale a um negative patient care outcome. uma pessoa aborrecida é apenas charm-free e se for preguiçosa é, coitada, motivationally dispossessed. lembremos que uma bomba não é mais que um vertically deployed antipersonnel device, o que é útil em relatórios de situações de guerra.
tudo isto vem a propósito de uma expressão usada por representantes da google aquando da recente fusão com a doubleclick, em que se anunciavam as primeiras decisões de despedimentos da empresa. os visados seriam cerca de 300 funcionários da doubleclick e a expressão usada foi
"as with many mergers, this review has resulted in a reduction in head-count at the acquired company."a situação tradicionalmente descrita como "despedimento colectivo" é assim tratada como uma mera reduction in head-count, expressão numérica que efectivamente despersonaliza o evento, para mais como se fosse o mero resultado automático (e inevitável) de uma operação da tal "review". o politicamente correcto deixou de ser tão engraçado quando se tornou o newspeak das novas forças económicas, que estão a usar a linguagem para manipular a informação (a real), despindo-a de conotações humanizantes (e/ou sexuais, emotivas, ou outras que possam provocar estados mentais autónomos), como se estivessem a tratar com autómatos reality-impaired. ou seja, connosco. e para isso, nada melhor que a linguagem máquina do inglês, língua franca da rede, que tudo liga e tudo prende. atenção por isso à cognitive accommodation de que poderemos estar a ser alvo.