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any moment


0
ANY MOMENT PREVIOUS TO
THE PRESENT MOMENT


1
THE PRESENT MOMENT AND
ONLY THE PRESENT MOMENT


2
ALL APARENTLY INDIVIDUAL
OBJECTS DIRECTLY EXPERIENCED
BY YOU AT 1


3
ALL OF YOUR RECOLLECTION AT 1
OF APPARENTLY INDIVIDUAL OBJECTS
DIRECTLY EXPERIENCED BY YOU AT
0 AND KNOWN TO BE IDENTICAL
WITH 2


4
ALL CRITERIA BY WHICH YOU MIGHT
DISTINGUISH BETWEEN MEMBERS OF 3
AND 2


5
ALL OF YOUR EXTRAPOLATION FROM
2 AND 3 CONCERNING THE DISPOSITION
OF 2 AT 0


6
ALL ASPECTS OF THE DISPOSITION
OF YOUR WON BODY AT 1 WHICH
YOU CONSIDER IN WHOLE OR IN
PART STRUCTURALLY ANALOGOUS
WITH THE DISPOSITION OF 2


7
ALL OF YOUR INTENTIONAL BODILY
ACTS PERFORMED UPON ANY MEMBER
OF 2


8
ALL OF YOUR BODILY SENSATIONS
WHICH YOU CONSIDER CONTINGENT
UPON YOUR BODILY CONTACT WITH
ANY MEMBER OF 2


9
ALL EMOTIONS DIRECTLY EXPERIENCED
BY YOU AT 1


10
ALL OF YOUR BODILY SENSATIONS
WHICH YOU CONSIDER CONTINGENT
UPON ANY MEMBER OF 9


11
ALL CRITERIA BY WHICH YOU MIGHT
DISTINGUISH BETWEEN MEMBERS OF
10 AND 9


12
ALL OF YOUR RECOLLECTION AT 1
OTHER THAN 3


13
ALL ASPECTS OF 12 UPON WHICH
YOU CONSIDER ANY MEMBER OF 9
TO BE CONTINGENT



Victor Burgin, "Any Moment," (1970) 


começar o pior possível


os prémios (ele há realmente prémios para tudo) Bulwer-Lytton premeiam (tal como o nome indica) as piores frases iniciais possíveis (tal como esta) para livros imaginários (embora isto não seja um livro, mesmo que imaginário), divididos por géneros (literários). desta feita, é o horror que é recompensado, a forma mais semiscarúnfia de se iniciar uma narrativa (felizmente sem continuação) a ser agraciada no pódio da imaginação delirante e doentia - ou meramente ultra-pirosa e divertida. seguem-se algumas das minhas pérolas preferidas da edição deste ano (mas vale a pena ler todas).
- ficção genérica:
Theirs was a New York love, a checkered taxi ride burning rubber, and like the city their passion was open 24/7, steam rising from their bodies like slick streets exhaling warm, moist, white breath through manhole covers stamped "Forged by DeLaney Bros., Piscataway, N.J."
- aventura (segundo prémio):
"Die, commie pigs!" grunted Sergeant "Rocky" Steele through his cigar stub as he machine-gunned the North Korean farm animals.
- prosa cor-de-rosa:
The mongrel dog began to lick her cheek voraciously with his sopping wet tongue, so wide and flat and soft, a miniature pink fleshy cape soaked through and oozing with liquid salivary gratitude; after all, she had rescued him from the clutches of Bernard, the curmudgeonly one-eyed dogcatcher, whose own tongue -- she remembered vividly the tongues of all her lovers -- was coarse and lethargic, like a slug in a sandpaper trenchcoat.
- ficção científica:
Timothy Hanson, Commander of the 43rd Space Regiment in the 52nd Battalion on board the USAOPAC (United Space Alliance Of Planets Attack Carrier) and second in command to Admiral L. R. Morris of the USAOP Space Command, awoke early for breakfast.

inútil será dizer que, depois disto, enterrei definitivamente as minhas aspirações literárias.

belas imagens antecedidas de um texto supérfluo

ultimamente não me tem apetecido escrever muito, talvez porque o acto de pegar numa caneta que não esteja com a tinta seca e encostá-la ao ecrã para registar o que quer que a minha actividade neuronal me compila a brotar não é tão fácil como possa parecer.
não é tanto o facto dessa minha actividade consistir apenas no sonho húmido e perpetuamente interrompido do único neurónio que me resta, tal wall-e abandonado nos escombros do que foi outrora um campo cinzento esponjoso verdejante, mas mais a cena de ser difícil escrever algo interessante ou que valha a pena ser escrito. até, vamos lá, inteligente. custa para caramba. e mesmo quando se tem a sorte de se ser bafejado pelo hálito de bailey's da moça aspiradora, deparamos com o grande dilema, como a ripley diante da rainha-alien: e se não formos compreendidos? e se também não existe actividade neuronal do outro lado do vidro alheio? e se tudo, tudo, tiver sido em vão? de escada ou não, a dúvida persiste. será que alguma coisa vale a pena? será que tranquei a porta do carro? será que a sara no saara sarará? e é por essas e por outras que prefiro calar-me e nada dizer, proferir ou berrar. já basta o tempo que as pessoas de bem perdem a ler merdas sem sentido nenhum na internet.
tenho de desenhar a linha nalgum lado (em inglês fica melhor).
e para não ficarem de olhos a abanar, tomem lá estes três dípticos (o que dá seis quadradinhos) do Fabrizio Ferri dedicados à única forma de motivação que se encontrou para os homens continuarem a procriar - e não só, mas também.