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belas imagens antecedidas de um texto supérfluo

ultimamente não me tem apetecido escrever muito, talvez porque o acto de pegar numa caneta que não esteja com a tinta seca e encostá-la ao ecrã para registar o que quer que a minha actividade neuronal me compila a brotar não é tão fácil como possa parecer.
não é tanto o facto dessa minha actividade consistir apenas no sonho húmido e perpetuamente interrompido do único neurónio que me resta, tal wall-e abandonado nos escombros do que foi outrora um campo cinzento esponjoso verdejante, mas mais a cena de ser difícil escrever algo interessante ou que valha a pena ser escrito. até, vamos lá, inteligente. custa para caramba. e mesmo quando se tem a sorte de se ser bafejado pelo hálito de bailey's da moça aspiradora, deparamos com o grande dilema, como a ripley diante da rainha-alien: e se não formos compreendidos? e se também não existe actividade neuronal do outro lado do vidro alheio? e se tudo, tudo, tiver sido em vão? de escada ou não, a dúvida persiste. será que alguma coisa vale a pena? será que tranquei a porta do carro? será que a sara no saara sarará? e é por essas e por outras que prefiro calar-me e nada dizer, proferir ou berrar. já basta o tempo que as pessoas de bem perdem a ler merdas sem sentido nenhum na internet.
tenho de desenhar a linha nalgum lado (em inglês fica melhor).
e para não ficarem de olhos a abanar, tomem lá estes três dípticos (o que dá seis quadradinhos) do Fabrizio Ferri dedicados à única forma de motivação que se encontrou para os homens continuarem a procriar - e não só, mas também.

so long, and thankz for all the fish


nestes tempos interessantes em que vivemos (na acepção da antiga maldição chinesa), vale a pena virar a nossa atenção para os great outdoors e ficarmos um pouco mais cientes de que somos apenas uma partícula no espaço. por exemplo, fiquei a saber que se podem ter descoberto indícios que houve um tempo antes do Big Bang e que este universo pode ter sido gerado por outro. ou seja, que esta coisa de universos pode ser uma espécie de máquina auto-replicadora, o que simultaneamente confirmaria a teoria da "seta do tempo" (porque é que ele se mexe numa única direcção) e a ideia de que o tempo nunca terá termo. aqui podem ler as fascinantes descobertas dos cientistas e aqui as reflexões que elas sugerem ao warren, o eterno optimista.
uma outra noticiazinha é ligeiramente mais preocupante. parece que o campo magnético terrestre tem vindo a perder intensidade e que, para além de reverter a polaridade da Terra súbita e inexplicavelmente de tempos a tempos, deixando-nos indefesos no período em que se processa a reversão, ele é a nossa única protecção contra uma saraivada constante de partículas solares que, por aí à solta, nos incomodariam certamente mais do que apenas estragar os telemóveis. aparentemente, temos 500 anos até o campo desaparecer.
portanto, meninos e meninas, é aproveitar enquanto há. pode ser que venha a haver para sempre, mas já não será para nós (humanos). relativizemos as coisas, dado que somos uma média estatística. aprendamos com a aleatoriedade porque, se calhar, não há aleatoriedade.

a idade média

nós, os que vivemos na idade média, temos a presunção de pensar que a vida a sério começa e acaba com ela. a infância e primeira juventude apenas se tratariam de estádios preparatórios e experimentais para o período de plenitude física e mental que nos define, nos dá nome e forma, nos orgulha. a partir de certa idade, tudo parece tarde demais, pesado demais, longe demais - ficaríamos como que atolados a meio da selva de possibilidades, cientes que já só veremos a copa das árvores cá de baixo. ora cada vez mais este elitismo etário me parece deficiente e deficitário. convenço-me um bocadinho mais todos os dias que a infância é a real idade da sabedoria, da empatia, da harmonia consigo mesmo e com o mundo. desconfio assaz que as crianças já sabem tudo - mas disfarçam bem. a memória é mais quântica do que julgamos e se calhar viaja para trás no tempo, não nos acompanha sempre necessariamente. e os mais jovens sabem cada vez maior e mais depressa. se calhar, devíamos todos morrer em criança. nunca chegarmos a mais velhos, nunca perdermos o tino e a razão - que voltamos a vislumbrar quando estamos muito mais longe do local onde nascemos. por sorte/desígnio, a idade que se segue comunga em quase tudo com a primeira, com a inexcedível vantagem de ver acrescentado o sentido de humor - o verdadeiro trunfo de quando se é velho. cada dia demora o mesmo tempo a passar quando se é novo ou velho. e no entanto, nunca é assim que ele é percebido - uma voragem amnésica inicial e depois uma estase que se dobra sobre si mesma até desaparecermos. julgo que somos irmãos, tanto dos mais novos como dos menos novos. devemos tanto tudo a uns como a outros. devemos respeito, solidariedade e compaixão. e devemos saber divertir-nos com ambos a fruir a nossa percepção da existência. deixemo-nos de condescendências. de hipocrisias. muita gente da idade média odeia - odeia - tanto jovens como velhos. normalmente por medo, muitas vezes por estar distraído com acontecimentos prementes e inconsequentes. mas o terror e a ignorância sempre floresceram nas idades das trevas.

porque é que isto não se chama "o blob"

... porque o nome estava tomado.
mas a verdadeira, secreta e íntima razão não é essa, não senhor. há muitas luas atrás, éramos nós mais novos (o que tem sentido), quando ditámos a teoria definitiva sobre o que estava mal em portugal e sobre a única maneira de fazer frente ao miasma. tornou-se rapidamente conhecida como a [teoria dos "pês"]. os dois para simbolizar o marcar passo nacional eram o porreirismo e a pachorra. o primeiro está mesmo a ver-se o que é - "é uma besta, mas no fundo é um gajo porreiro"; "isto é um tugúrio, mas até é porreiro"; "não é boa, mas é porreira". esta hipocrisia mata tudo. o segundo é assaz mais profundo - a básica falta de pachorra para fazer o que é preciso fazer. não é de paciência, de estímulo, de motivação, de drive, de saúde, de dinheiro, de conhecimento, de boa educação, de civismo, de solidariedade, de auto-estima, de orgulho, de brio, de lata, de obrigação. é de pachorra. isto mata tudo. e claro que a única solução para cá se continuar sem nos atirarmos ao poço ou à aldeia espanhola mais próximos é evidentemente a perseverança do propósito. sobre esta pessoalíssima filosofia de vida vários tomos epistemológicos (e outros sem lógica nenhuma) foram escritos, dissecando os seus infinitos parâmetros. a nós, aqui, basta dizer: continuar, carago. não é a tudo, atenção. só a acreditarmos nas pessoas com quem mais fazemos amor: nós.
assim seja o nome deste blob uma chamada às armas. não as do hino, porque já perdemos de vez a pachorra com este tugúrio à beira-mar mal plantado (não foi plantação biológica de certeza), mas as do sentido crítico, do sentido de humor, do sentido mais do que percebido, do sem sentido mas genuíno e também do tacto, que é um dos sentidos mais menosprezados.
assim seja o nome deste blob um questionar permanente do propósito da perseverança.
assim seja o nome deste blob a resposta a pelo menos uma pergunta.
e assim seja o blob (original):





sim, é o steve mcqueen. e sim, assustou-nos de morte quando o vimos, apesar de dar um grande nome de belogue.

terceiro post

portanto, na sequência do que vem atrás, a irrefutável conclusão que se nos impõe é a de que nada pode ser provado sem recurso ao que chamaríamos de "contrato de adesão" com a Natureza, ou seja, à aceitação sem reservas mentais de todas as cláusulas propostas pelo ente denominado realidade. o que é, naturalmente, inaceitável e por conseguinte postula o fim da civilização tal como julgamos conhecê-la. pelo menos no sentido da nossa percepção do real como ficção necessária para a delimitação do mapa.
concluído o nosso humilde contributo para o correcto entendimento do sentido da vida (se de lá para cá, se de cá para lá), não vislumbramos qualquer razão para continuar a manter este blob.