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lisboa é a seguir, quase de certeza

o conceito de edifício evoluiu um bocado desde 1898 (ano de publicação de A Guerra dos Mundos, de H.G.Wells), hein?
a conta da electricidade preocupa-me, no entanto.

debaixo da terra


as coisas subterrâneas sempre me fascinaram - e não, desta vez não estou a falar de sexo -, muitas vezes pelo horror adivinhado de uma sensação paralizante de claustrofobia - arrepiavam-me as cenas de espeleologia aventurosa, quando alguém (com certeza para fugir a aranhas mutantes gigantes cegas mas com sonares estupendos) tinha de mergulhar através de um túnel aquático sob um bilião de toneladas de pedra sem saber qual o seu comprimento ou sequer se teria fim. brrr.
agora, imaginem: uma cidade inteira debaixo do chão. casas, ruas/corredores, pontes, com capacidade para 10 000 almas. sem céu. sempre com a mesma luz. ela existe e já é velhinha, chama-se derinkuyu, é na turquia, foi construída para fugir a invasões demasiado rotineiras, tem pelo menos 20 níveis e por mais que adorasse lá ir filmar a minha obra-prima de terror infra-espacial, nunca lá hei-de pôr os pés.

dançar sobre arquitectura


para recompensar os pobres arquitectos pelas suas estupendas mas certamente mal pagas prestações (em altruísmo e bom gosto) na concepção e implementação das grelhas habitacionais e rodoviárias suburbanas que adornam, enfeitam, sublimam ao ponto da utopia os arredores invejáveis das nossas grandes cidades, certos patronos ou municipalidades permitem-lhes amiúde uma ejaculaçãozinha fantasiosa, com ou sem a ajuda dos respectivos proprietários - nalguns casos, é difícil imaginar que autorizaram sequer a coisa. alguns velhos, outros novos, muitos conhecidos e muitos mais anónimos (até agora), eis alguns exemplos de como a arquitectura pode ser arte. ou não. mas sempre com imenso sentido de humor.

uma biblioteca particular


parece-me normal que Jay Walker, um empreendedor da net com alguma tendência para o coleccionismo, tenha sentimentos contraditórios quanto a partilhar a sua biblioteca com o mundo exterior. afinal, nem todas possuem um Sputnik verdadeiro, ou a mão original conhecida como Thing da série Família Addams, ou uma edição de 1665 com as primeiras ilustrações tornadas possíveis pelos microscópios, ou um globo lunar assinado pelos astronautas que passearam na lua, ou uma máquina de encriptação Enigma, entre muitos, muitos mais artefactos únicos. por outro lado, justamente por causa dela ter isso tudo, como resistir a ostentá-la? como dizia o outro, um verdadeiro nerdvana.

cidade de pedro


hoje cruzei-me na rua com uma jovem loira de óculos escuros, saltos altos e uma t-shirt preta com as palavras "saint petersburg" a vermelho.

as ruas da cidade, aqui no século xix, induzem agorafobia.