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nós somos a informação que produzimos


a obsessão de muitas pessoas em se medirem a si próprias, em se auto-analisarem, -controlarem, -vigiarem, -quantificarem, -observarem, é uma forma de provarem que mais facilmente existem na terceira pessoa do que na primeira. se somos o nosso único ponto de referência, como poderemos ter a certeza que não estamos (a ser) enganados, que somos pura consciência ou percepção? e ao considerar o meu cérebro como algo que existe em mim, o que é então "mim"?
estas considerações irrelevantes ganham acuidade com a proliferação de engenhos, físicos e virtuais, para executarem continuamente o nosso check-up existencial, através da infinita quantidade de informação que deitamos cá para fora, que armazenamos e que, em última análise, nos define aos olhos dos outros. ou seja, de nós próprios.

Data is truth. It calls you on your bullshit. And at its core, that seems to be what the quantified self is ultimately about.

más notícias para os ratos



apesar de o senhor achar que isto não vai chegar ao mainstream e que parece só bom para jogos e stuff, aqui o moi pensa que isto é mais um passo decisivo na direcção do inevitável: o corpo como derradeiro interface. homo ex machina.

nos jogos electrónicos, o grafismo é tudo


Crayon Physics Deluxe from Petri Purho on Vimeo.

mais uma prova da grande convergência. e um excelente ponto de entrada para miúdos, parece-me.

steampunk, pronto


(suspiro) não resisti. provavelmente viria a falar de algo ligado à cultura steampunk mais tarde ou mais cedo, por isso não faz mal. é que este portátil é mesmo pujante (tem tudo, entradas usb, wi-fi, dvd, etc.)...

faz café



o verdadeiro eu-telefone! o replicant dos telemóveis! o gadget supremo! assim também eu queria.
em alternativa, posso sempre ir viver para o canadá.

sou, logo penso

só aprendemos verdadeiramente quando fazemos as coisas por nós próprios, ou seja, percorremos sozinhos o caminho da inteligência (que é um e vários simultaneamente). isto aplica-se naturalmente aos nossos processos mentais, à forma como chegamos às coisas. o software, em geral, tenta acomodar os parâmetros mais gerais desses processos, replicando-os em certa medida, para optimizar a sua própria utilidade como ferramenta. um computador será assim tanto mais útil quanto mais se entender com a nossa forma de pensar. inversamente, se o nosso pensamento for parametrizado por ou seguir o software da máquina, estará a auto-limitar-se e a desperdiçar o seu potencial. as extraordinárias capacidades da máquina são-no precisamente por ampliar as da mente, não por tentarem reproduzir a sua personalidade (ela faz, não é). se a mente estiver subsumida à máquina, aos poucos vai deixando de ser mente, porque deixa de ter personalidade. a denominada inteligência artificial pretende apenas dar personalidade a algo que, por enquanto, apenas possui capacidade. por isso, não custa perceber as conclusões de um psicólogo holandês, quando diz que o uso da oralidade e da escrita directa (papel, caneta, lápis) - e não o de computadores ou software - promove a criatividade, a memória e sobretudo a actividade mental por oposição à sua preguiça. o cérebro trabalha bem e trabalha muito e sabe reconhecer quando alguém (ou algo) pode fazer parte do trabalho por ele; o que chamamos "preguiça", provavelmente ele chamaria de pragmatismo: o deixar de executar certas tarefas permite-lhe ir mais além noutras, eventualmente alcançar outro patamar de raciocínio - ainda conhecemos muito pouco sobre ele para percebermos o que se passa ao certo. mas se ele souber apropriar-se, embeber a utilidade intrínseca do software, a questão passa a ser - como bem diz o psicólogo - a necessidade de evolução no interface entre máquina e humano, ou seja, a forma como o software se deverá adaptar (sempre ele) aos processos neuronais, para melhor os servir. em termos de ensino, parece-me que o ideal, para mim, seria manter uma dose saudável de métodos de aprendizagem naturais - leitura e oralidade, com um tutor ou pelo menos poucas pessoas à volta - acompanhados lateralmente por software evolutivo/orgânico, que explorasse em paralelo outras zonas da mente. a ver vamos, como diria o cego.

é preciso explicar tudo

ceci n'est pas un crâne


pois, é uma máquina fotográfica.
numa conferência a que assisti, Joel-Peter Witkin contou que, quando era muito pequeno, ia pela rua com a mãe quando se deu um acidente muito perto deles. a mãe largou-lhe a mão e ele, perdido no meio do passeio, viu uma bola a rolar na sua direcção. interessado, pegou nela e descobriu que afinal se tratava da cabeça de uma menina. Witkin disse que essa era a sua câmara fotográfica primordial, passando a ver o mundo através dos olhos da menina morta. Wayne Martin Belger parece ter levado essa perspectiva à letra no caso desta câmara, denominada third eye e feita a partir de um crâneo com 150 anos de uma menina de 13 anos. como para todas as suas câmaras, a técnica usada é a de pinhole, em que a luz passa através de um pequeníssimo orifício (o "buraco da agulha") para impressionar o filme na parte de trás da câmara, sem intervenção de lentes, em exposições que vão desde alguns segundos a várias horas ou mesmo dias.



as imagens são fiéis ao processo e Belger faz o seu melhor para criar uma confluência cósmica entre o assunto tratado e os ingredientes (ou relíquias) agregados para a manufactura específica de cada câmara diferente, incluindo uma diversidade de metais, pedras preciosas, ossos, sangue infectado com HIV, um pedaço do world trade center e o coração de um bebé. como ele diz, o ar que o seu tema respira é o mesmo que entra pelo pinhole e se mistura com a emulsão fotográfica. o meio confunde-se com o fim. é o que se pode chamar verdadeiramente de fotografia orgânica.

o comedor de tempo

o Corpus Clock apenas está certo de cinco em cinco minutos. mas já é o meu relógio preferido, porque representa o Tempo como ele é: a Morte.

o suicídio da fotografia de massas?


pois é. depois do telemóvel que filma, chegou a vez da câmara fotográfica que faz filmes - a expressão "câmara" ainda ficou mais ambígua.
a última fronteira foi franqueada, o derradeiro bastião submetido, o inner sanctum violado. será o fim do mundo tal como o conhecemos? bem, para mim a questão é a seguinte: ao trazer para dentro da D90, uma câmara de topo, a capacidade de filmar em alta definição, não estará a Nikon a assinar a sentença de morte deste tipo de máquinas para as massas? é que o que a malta quer é tirar fotografias-como-lembrança-de-um-momento... no seu telemóvel, que é mais barato e mais prático e tem cada vez melhor resolução - podem-se enviar as imagens imediatamente para amigos ou arquivos. para fazer filminhos, a malta não precisa de uma Nikon D90 e sim de uma câmara de filmar miniatura, barata e prática. o conceito de fotografia popular per se está a mudar - por exemplo quando nos lembramos das molduras digitais, que permitem slideshows (ou, porque não, micro-filminhos?) -, pois as pessoas não estão interessadas na qualidade da imagem mas sim na qualidade do momento que ela ilustra - obviamente que mais realista, se a imagem for boa, mas não é esse o objectivo primário, isso vai-se tornando numa condição prévia. por isso, parece-me que será mais fácil as pessoas adquirirem engenhos de filmar pequenos e baratos (usando o telemóvel para as imagens fixas) do que usar uma SLR para fazer filmes (apesar de ser tão bonita...) - essas deviam ficar para os profissionais. ou seja, parece-me que a combinação fantástica câmara fotográfica/de filmar a este nível não vai resultar assim tanto, pois essas features querem-se em máquinas acessíveis. a fotografia-lembrança, quanto a mim, passou definitivamente para o campo dos dispositivos de comunicação móvel, o que se coaduna melhor com o seu espírito. a fotografia "a sério" permanecerá no reino das câmaras fotográficas - um reino diminuto, é certo, mas honrado. é que esta máquina acaba de mudar tudo, nada será o mesmo daqui para a frente. agora segue-se inevitavelmente a guerra das pilhas e da capacidade de memória e logo a seguir a da interconectividade entre plataformas, em termos de rapidez, facilidade e qualidade. ou seja, a guerra continua entre aparelhos e vamos todos acabar com um engenho do tamanho de um supositório que fotografa, filma, grava, edita, manda sem fios para o arquivo na net, classifica e ainda provavelmente dá uma opinião crítica sobre o trabalho. mas esses dispositivos usam os fotógrafos quando estão de férias ou com a família, não quando estão a trabalhar. e a ironia é que a Nikon nem sequer faz(ia) câmaras de filmar.

vendo o meu portátil, muito barato

este vídeo e a ultra-mobilidade dão-me vertigens. a I.V.A. (integração virtual ambulante) parece-me o caminho tão natural para a I.R.C. (integração real de comunidades), sobretudo nas regiões em vias de desenvolvimento, que deve haver algo vagamente errado com isto. será cinismo?
ah, e invistam no sector das mochilas - em breve tudo caberá dentro de uma. pequenina.


Moblinux
by archizero
(via efeitos secundários)

vendo o meu computador, barato



é caso para dizer que o interface é a mensagem.

(e que o segmento dos sprays limpa-vidros deverá conhecer um notável crescimento nos próximos anos)

vlob: johnny lee e 3-d (rima em inglês)

por falar em 3-d, parece que o senhor johnny chung lee viaja no tempo ainda mais depressa que a björk e de certeza com menos meios. ultrapassem o aspecto tecno-nerd da cena e assistam à revolution being televised.
wii are impressed. (e isto também pode ser útil)

cérebro: a última fronteira



este artigo de clive thompson na wired sobre a "privacidade mental" cada vez mais ameaçada com as tecnologias emergentes de intrusão cerebral (dirigir queixas ao Centro para a Liberdade e Ética Cognitiva) é realmente perturbador e exigiria que começássemos a pensar e a tomar uma posição crítica sobre o assunto imediatamente.
felizmente que a maioria de nós não usa mesmo o cérebro.

excerto:

"We're going to be facing this question more and more, and nobody is really ready for it," says Paul Root Wolpe, a bioethicist and board member of the nonprofit Center for Cognitive Liberty and Ethics. "If the skull is not an absolute domain of privacy, there are no privacy domains left." He argues that the big personal liberty issues of the 21st century will all be in our heads — the "civil rights of the mind," he calls it.

___
"tension
apprehension
and dissension
have begun"